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Texto do Mês

Gratidão.

Tanto se fala de amor por aí que esquecemos que a gratidão é uma das atitudes mais amorosas que existem.

Reconhecimento. Geralmente é isso o que algumas pessoas procuram quando ajudam alguém, mesmo assim, dificilmente o recebem como resposta. A gratidão é uma demonstração de amor e reconhecimento vindo do outro. É conscientizar-se do que temos de bom na vida.

Se você se perguntar: “Qual foi a última vez em que expressei concretamente a minha gratidão?”

Quanto tempo demorará a responder ou mesmo para lembrar-se de algo significativo?

Claramente nos lembramos daqueles que nos magoaram e fizeram mal, mas raramente recordamos de alguém que fez o bem sem pedir nada em troca e, menos ainda é possível que agradeçamos por isso. 

“Quando peço para as pessoas que fazem coaching (aconselhamento profissional) se lembrarem de algo pelo qual podem ser gratas, normalmente dá um branco”, explica a psicóloga Dalva Alves. “A própria palavra gratidão refere-se ao recebimento de uma graça, por isso falamos em agradecer e que somos gratos. Todos esses termos possuem a mesma raiz. E receber uma graça significa que somos abençoados, que obtivemos uma graça, que por sua natureza é gratuita, ou seja, não depende do nosso merecimento e que chegou inesperadamente. O problema é que não nos damos conta do quanto isso é importante”, diz. 

Uma explicação para essa falta de agradecimento? Nosso egoísmo.

Gravitamos a maior parte do tempo em torno do universo do “eu quero isso pra mim”. E nesse mundo nos tornamos exigentes, insaciáveis, famintos e autocentrados. É a incapacidade de reconhecer o outro e suas necessidades, pois estamos focados nas nossas.

A causa disso pode estar na infância, onde muitos autores da psicologia estudaram os efeitos dos primeiros anos de existência em nossa vida e, um dos fatores encontrados é por culpa de pais ausentes, os quais bebês têm todas as suas vontades materiais satisfeitas desde o berço.

Segundo tais estudos, temos como consequência: crianças que não conseguem formar vínculos duradouros, pois lhes falta a presença dos pais para marcá-los com seu amor, ou ainda são crianças que não formam uma identidade separada dos pais, pois se tornam dependentes de quem lhes satisfaz a vontade. São incapazes de sentir gratidão.

Uma técnica vinda do Japão, chamada naikan, utiliza da autorreflexão para quebrar a avaliação egocêntrica da vida e desenvolver outra percepção com relação ao que nos rodeia.

A prática do naikan começa com três perguntas básicas para esse pensamento:

  • O que recebi das pessoas na minha vida?
  • O que dei a elas em retorno?
  • Que tipo de problemas ou dificuldades criei para elas?

Ao pesar esses dados, que geralmente não são postos na balança, surge então uma nova maneira de apreciar a vida. Modificamos a idéia que temos sobre as pessoas próximas a nós e sobre o próprio mundo.

Segundo, Geshe Lhakdor, diretor da biblioteca tibetana de Nova York, “só podemos nos considerar verdadeiramente quando nos descentralizamos de nossos desejos para contemplar o que o outro precisa e agir nessa direção. E a gratidão só existe quando alguém que demonstrou ser humano com relação a nós – quando alguém nos deu algo, se doou a nós. Agradecer é reverenciar a humanidade que o outro exerceu.”

Experimente!